Você aprendeu que ser livre é não ter que dar satisfação para ninguém. E que ser forte é resolver tudo sozinho.
Ninguém te contou o preço disso. Existe uma frase que começa como autonomia e termina como anestesia: "minha vida, minhas regras". No começo ela te liberta de um controle abusivo, de uma religião opressora, de uma família que te sufocava. Mas quando ela vira dogma, ela te isola. Você para de perguntar: e as consequências? Nenhuma escolha acontece no vácuo. Nenhuma. A história mais antiga sobre isso é de um homem que tinha tudo e perdeu tudo em um único dia. Não por culpa dele. Mensageiros chegando um atrás do outro: perdeu patrimônio, perdeu equipe, perdeu filhos. A primeira tentação dele não foi chorar. Foi romper. Amaldiçoar tudo, se fechar, dizer que já que o mundo tirou dele, ele não devia mais nada a ninguém. É exatamente o que a gente faz quando sofre. A gente confunde dor com autorização. "Já que sofri, posso fazer o que eu quiser". "Já que ninguém me ajudou, não preciso de ninguém". E aí a perda que começou fora termina dentro. Autonomia sem respon...