Porque te ensinaram que ser livre é não ter que dar satisfação a ninguém. Que ser livre é resolver tudo sozinho, sem conselho, sem limite, sem ter que explicar nada. E por um tempo isso parece poder. Você repete "meu corpo, minhas regras", "minha vida, minhas escolhas" e sente que finalmente está no controle. Só que controle sem consciência não liberta. Isola. Nenhuma escolha sua acontece no vazio. Nenhuma. Você pode até decidir sozinho no seu quarto, mas essa decisão vai dormir na sua casa, vai sentar à mesa com sua família, vai aparecer no seu trabalho, no seu humor, nas suas dívidas, na ansiedade de quem te ama. Autonomia é o direito de escolher. Responsabilidade é a coragem de responder pelo rastro que essa escolha deixa. Quando você confunde liberdade com ausência de limites, você começa a se machucar. Não porque alguém te pune, mas porque viver sem limites é viver sem contorno. Sem contorno, você vaza. Sua energia vaza, seu dinheiro vaza, seus relacionamentos ...
Começa sutil. Você diz "é a minha vida" para se proteger de uma crítica injusta. Depois, repete a mesma frase para se blindar de qualquer conselho. Em pouco tempo, "meu corpo, minhas regras" deixa de ser afirmação de dignidade e vira um muro. Lá de dentro, você se sente forte. Lá de fora, quem te ama já não consegue te alcançar. Nos venderam duas mentiras muito convincentes. A primeira: ser livre é não ter limites. A segunda: ser forte é não precisar de ninguém. Se você acreditou nelas, conhece o preço. Desgaste crônico. Aquela sensação de carregar tudo sozinho e ainda ter que provar que está tudo bem. Conflitos que se repetem porque ninguém pode discordar de você sem ser visto como inimigo da sua liberdade. E um isolamento estranho: rodeado de gente, mas sem coragem de dizer "não estou dando conta". Nenhuma escolha é só sua. Essa é a parte que dói admitir, mas é a que te resgata. Você pode decidir sozinho, mas nunca decide sozinho no vazio. Sua escolha at...